Profissionais, pacientes e familiares contam da dificuldade de enfrentar a doença e da semelhança com a história de “Caminho das Índias
A esquizofrenia, hoje, faz parte das tramas da novela do horário nobre da Rede Globo, de acordo com dados do Ministério da Saúde, atinge 3% da população mundial. No Brasil, 1% dos adultos apresenta a psicose, algo em torno de 1,8 milhão de brasileiros, sendo os homens os mais suscetíveis.
A doença é definida pela especialista em saúde mental e terapeuta ocupacional Nazareth Malcher como um quadro clínico em que o doente perde a noção do real. “A pessoa se desconecta das questões de realidade através de produção positiva das funções da mente”, explica.
Para o psiquiatra Fernando Rafael, a esquizofrenia é uma doença que acomete o corpo e a mente da pessoa sem que ela possa se defender ou se precaver. “O cérebro é inundado por uma substância chamada dopamina, produzida em excesso por neurônios que têm dificuldade para se conectar. Ninguém deve ser responsabilizado, nem o paciente nem a família”, afirma o médico. O psiquiatra ressalta ainda que o tratamento eficiente reduz a necessidade de internações e é capaz de devolver à pessoa a capacidade de ter uma vida normal, podendo trabalhar, estudar, divertir-se e formar uma família.
Psicólogos e ONGS acreditam no trabalho com casais para “desnaturalizar” agressões
A Assembléia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 1993, apontou fatores culturais, preconceituosos e temporais como as principais causas da violência contra a mulher. “Relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres é que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens”, diz a Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres desta assembléia.
Sérgio Barbosa, da ONG Pró-Mulher, Família e Cidadania, que trabalha na redução dos casos de agressão à mulher, também afirma que a cultura da sociedade gera e estabelece como normal a violência. “Nas oficinas com homens, percebemos que a ‘identidade masculina’ vê a violência como algo quase natural, quase como sinônimo de masculinidade. O objetivo do nosso trabalho é ‘desnaturalizar’ essa violência que vai desde obrigar a companheira a servir a comida até ter relações sexuais forçadas”, conta.
Em um mundo onde as pessoas vivem cada dia em busca da felicidade, acreditando que programando tudo e só fazendo o que querem serão felizes, Maria Fernanda Fernandes é um exemplo que o caminho escolhido pode ser completamente diferente do traçado e ainda assim atingir o mesmo ponto final.
A cultura da sociedade brasileira leva crianças às ruas
E., de 15 anos, é aluno da 7ª série de uma escola pública no Distrito Federal. Ele trabalha há três anos vendendo caqui nas esquinas de Brasília. Os pais o deixam trabalhar se ele continuar estudando, porém a escola acaba prejudicada da mesma forma já que, conforme E. disse, ele já repetiu dois anos na escola. Segundo o menino, muitas pessoas dizem que é melhor trabalhar do que ficar em casa sem fazer nada. Ele mesmo concorda com isso. Ganha em média R$ 30 por dia e gasta a renda em roupas e calçados. “Dou o dinheiro pro meu pai (que também vende caqui), mas uso também pra comprar roupa e tênis”, explicou o garoto, que sonha em ser policial.
A Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) de 2007 mostrou que 4,8 milhões de crianças trabalham no Brasil, o que representa 10,8% da população entre 5 e 17 anos. No caso de Brasília, Coracy Coelho, presidente da Associação Viver, que trabalha com crianças da Estrutural, conta que entre 2004 e 2006 a PNAD apontou crescimento do trabalho infantil na capital federal. “São mais ou menos sete mil crianças trabalhando. É uma capital pequena, mas com quantidade expressiva”, disse ele. A associação trabalha com o Programa de Erradicação de Trabalho Infantil (PETI), do Governo Federal, que oferece bolsa de R$ 40 para ajudar famílias nas grandes cidades. Mas Coracy fala que a função da Viver é conscientizar as crianças e a família sobre o mal do trabalho infantil. “Fazemos um processo de conscientização com trabalhos, conversas, vídeos que exploram esse pensamento de que o trabalho infantil não é correto”, contou ele.
O vídeo acima mostra uma parte do filme “School of Rock”, estrelado por Jack Black e dirigido por Richard Linklater, que pode ser considerado uma grande exposição em prol do rock’n’roll. Com muito humor e muitos solos de guitarra, o filme mostra a importância cultural do rock e também a falta de verdadeiros ídolos musicais para a juventude.
Mahalia Jackson, Jorge Ben, Beatles, Mothers of Invention, James Brown, John Lee Hooker, Pink Floyd, The Doors, João Gilberto, Orlando Silva, Frank Sinatra, Jovem Guarda, Carmen Miranda, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan. Era esse o contexto musical dos anos 60 e, principalmente, foram esses os nomes que influenciaram os integrantes do disco que seria mais uma das marcas do ano de 1968.
O álbum Tropicália ou Panis et circensis foi o manifesto musical do movimento tropicalista e o grande impulsionador dessa inovação estética e comportamental. O 3º Festival da Música Popular Brasileira lançou as bases para o Tropicalismo e para o disco. “Alegria, alegria” e “Domingo no parque”, cantadas, respectivamente, por Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram extremamente aplaudidas no festival de 1967 e esse sucesso criou expectativas. As transformações feitas por eles nas músicas eram um diferencial e ambos queriam aprofundar isso. “Na época, o disco era o meio mais natural de fazer isso. A gente precisava fazer um disco que contivesse o mínimo pra dar a idéia de bandeira”, disse Gil.
E fizeram. O disco-manifesto contou com a participação de Nara Leão e Tom Zé, além do grupo formado por Caetano, Gil, Gal Costa, os Mutantes (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e Rogério Duprat. Eles ainda tiveram a ajuda dos letristas e poetas Torquato Neto e Capinam e dos maestros arranjadores Júlio Medaglia e Damiano Cozzela. “Eu acreditava – e não creio que estivesse errado – que a feitura do disco coletivo seria uma excelente oportunidade de somar as forças dos componentes do grupo para atingir resultados mais precisos”, declarou Caetano no livro Verdade Tropical (Companhia das Letras, 1997).
Temos que admitir que ninguém resiste a um bom herói não é mesmo?! Aquele bom homem que luta para o bem de todos ou aquele moço lindo destruidor de corações e com caráter duvidoso. Estes são exatamente dois tipos dos arquétipos de heróis apresentados por Christopher Vogler no livro “A jornada do escritor: estruturas místicas para escritores”, onde ele descreve a “jornada do herói”. A idéia do monomito é seguida por vários roteiristas e está presente em grandes filmes de sucesso. Mas não só filmes têm as características passadas pelo livro. O modelo de sucesso pode ser visto em séries de TV, como na americana “Dexter” e na britânica “Life on Mars”.
O roteirista norte-americano Christopher Vogler se baseou na obra O herói de mil faces, do estudioso de mitologia e religião Joseph Campbell, e escreveu um memorando de sete páginas intitulado “Guia prático de O herói de mil faces”. Nele, Vogler descrevia a idéia do monomito (também chamado de Jornada do Herói). O memorando foi aprimorado e transformado no livro A jornada do escritor: estruturas míticas para escritores.
Vogler sempre foi fissurado por contos de fadas, desenhos animados e filmes. Por isso decidiu que lendo seria o modo como ganharia a vida e foi ser analista de histórias em alguns estúdios de Hollywood. Mesmo tendo avaliado vários romances, o labirinto das histórias ainda o intrigava. Na universidade, foi apresentado à obra de Campbell, o que considerou “uma experiência transformadora”. Na introdução ainda classifica o livro “ O herói de mil faces” como “uma tábua de salvação” e uma “ferramenta confiável” quando começou a trabalhar.
A ética e a responsabilidade são valores fundamentais para o jornalista. Só que elas não vêm junto com a inteligência e a capacidade de escrever. Dependem do caráter de cada indivíduo, mas são a base do bom jornalismo em geral. Mais do que trabalhadas, devem ser necessárias. A falta delas é inaceitável.
Caso famoso da década de 30, o Caso Welles imortalizou uma história e a falta de ética n meio jornalístico. Radialista da rádio americana CBS, Orson Welles testou os limites entre ficção e realidade. Em outubro de 1938, Welles fez uma dramatização do romance de H.G. Wells. O texto, “Guerra dos Mundos”, havia sido publicado em 1898 pelo escritor inglês em u jornal americano.
O livro, que é uma ficção científica sobre alienígenas que invadem a Terra, só se tornou famoso 40 anos depois graças ao radialista.
O escritor e jornalista Zuenir Ventura é o autor de 1968: o ano que não terminou. Vencedor de vários prêmios, ele relata no livro acontecimentos de um dos anos mais importantes em todo o mundo. Mesmo tendo participado daquele ano, Ventura estudou e pesquisou bastante cada detalhe e cada personagem do ano que entraria para a história brasileira e mundial.
No começo depara-se com uma apresentação sentimental e nostálgica de Heloisa Buarque de Hollanda. Ela elogia a precisão de Zu, como ela chama o amigo, ao recuperar os fatos e narrar tudo com objetividade. Em seguida, vêm os agradecimentos. Uma seqüência de três páginas de nomes e mais nomes a quem o autor mostra reconhecimento (que mais tarde mostra-se realmente necessário devido à riqueza de informações que foram dadas a Zuenir). Logo se pensa que as folhas a seguir vão tratar de um 1968 dos amigos, da geração de amigos que muito queria e desejava para o país. Não deixa de ser assim. Mas não é tão superficial. Aborda-se uma juventude cheia de sonhos e ideais, que lutou muito para melhorar o país. E, citando a própria Heloisa, o texto te pega pelo pé. A leitura envolve, a história inebria e começa a surgir uma vontade de ter feito parte do ano que não terminou.