Esquizofrenia: uma novela da vida real
A esquizofrenia, hoje, é uma das tramas da novela do horário nobre da Rede Globo e, de acordo com dados do Ministério da Saúde, atinge 3% da população mundial. No Brasil, 1% dos adultos apresenta a psicose, algo em torno de 1,8 milhão de brasileiros, sendo os homens os mais suscetíveis.
A doença é definida pela especialista em saúde mental e terapeuta ocupacional, Nazareth Malcher, como um quadro clínico em que o doente perde a noção do real. “A pessoa se desconecta das questões de realidade através de produção positiva das funções da mente”, explica ela.
Para o psiquiatra Fernando Rafael, a esquizofrenia é uma doença que acomete o corpo e a mente da pessoa sem que ela possa se defender ou se precaver. “O cérebro é inundado por uma substância chamada dopamina, produzida em excesso por neurônios que têm dificuldade para se conectarem. Ninguém deve ser responsabilizado, nem o paciente nem a família”, afirma o médico. O psiquiatra ressalta ainda que, o tratamento é eficiente, reduz a necessidade de internações e é capaz de devolver à pessoa a capacidade de ter uma vida normal, podendo trabalhar, estudar, divertir-se e formar uma família.
“It’s a long way to the top if you wanna rock’n'roll”
O vídeo acima mostra uma parte do filme “School of Rock”, estrelado por Jack Black e dirigido por Richard Linklater, que pode ser considerado uma grande exposição em prol do rock’n’roll. Com muito humor e muitos solos de guitarra, o filme mostra a importância do rock e também a falta de verdadeiros ídolos para a juventude. O rock sempre sofreu preconceitos, mas é culturalmente importante para a sociedade.
Tropicália: a confirmação do Tropicalismo
Mahalia Jackson, Jorge Ben, Beatles, Mothers of Invention, James Brown, John Lee Hooker, Pink Floyd, The Doors, João Gilberto, Orlando Silva, Frank Sinatra, Jovem Guarda, Carmen Miranda, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan. Era esse o contexto musical dos anos 60 e, principalmente, foram esses os nomes que influenciaram os integrantes do disco que seria mais uma das marcas do ano de 1968.
O álbum Tropicália ou Panis et circensis foi o manifesto musical do movimento tropicalista e o grande impulsionador dessa inovação estética e comportamental. O 3º Festival da Música Popular Brasileira lançou as bases para o Tropicalismo e para o disco. “Alegria, alegria” e “Domingo no parque”, cantadas, respectivamente, por Caetano Veloso e Gilberto Gil, foram extremamente aplaudidas no festival de 1967 e esse sucesso criou expectativas. As transformações feitas por eles nas músicas eram um diferencial e ambos queriam aprofundar isso. “Na época, o disco era o meio mais natural de fazer isso. A gente precisava fazer um disco que contivesse o mínimo pra dar a idéia de bandeira”, disse Gil.
E fizeram. O disco-manifesto contou com a participação de Nara Leão e Tom Zé, além do grupo formado por Caetano, Gil, Gal Costa, os Mutantes (Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e Rogério Duprat. Eles ainda tiveram a ajuda dos letristas e poetas Torquato Neto e Capinam e dos maestros arranjadores Júlio Medaglia e Damiano Cozzela. “Eu acreditava – e não creio que estivesse errado – que a feitura do disco coletivo seria uma excelente oportunidade de somar as forças dos componentes do grupo para atingir resultados mais precisos”, declarou Caetano no livro Verdade Tropical (Companhia das Letras, 1997).
Duas entre as mil faces do herói
Temos que admitir que ninguém resiste a um bom herói não é mesmo?! Aquele bom homem que luta para o bem de todos ou aquele moço lindo destruidor de corações e com caráter duvidoso. Estes são exatamente dois tipos dos arquétipos de heróis apresentados por Christopher Vogler no livro “A jornada do escritor: estruturas místicas para escritores”, onde ele descreve a “jornada do herói”. A idéia do monomito é seguida por vários roteiristas e está presente em grandes filmes de sucesso. Mas não só filmes têm as características passadas pelo livro. O modelo de sucesso pode ser visto em séries de TV, como na americana “Dexter” e na britânica “Life on Mars”.
O caminho para um filme de sucesso
O roteirista norte-americano Christopher Vogler se baseou na obra O herói de mil faces, do estudioso de
mitologia e religião Joseph Campbell, e escreveu um memorando de sete páginas intitulado “Guia prático de O herói de mil faces”. Nele, Vogler descrevia a idéia do monomito (também chamado de Jornada do Herói). O memorando foi aprimorado e transformado no livro A jornada do escritor: estruturas míticas para escritores.
Vogler sempre foi fissurado por contos de fadas, desenhos animados e filmes. Por isso decidiu que lendo seria o modo como ganharia a vida e foi ser analista de histórias em alguns estúdios de Hollywood. Mesmo tendo avaliado vários romances, o labirinto das histórias ainda o intrigava. Na universidade, foi apresentado à obra de Campbell, o que considerou “uma experiência transformadora”. Na introdução ainda classifica o livro “ O herói de mil faces” como “uma tábua de salvação” e uma “ferramenta confiável” quando começou a trabalhar.
Como não ser jornalista
A ética e a responsabilidade são valores fundamentais para o jornalista. Só que elas não vêm junto com a inteligência e a capacidade de escrever. Dependem do caráter de cada indivíduo, mas são a base do bom jornalismo em geral. Mais do que trabalhadas, devem ser necessárias. A falta delas é inaceitável.
Caso famoso da década de 30, o Caso Welles imortalizou uma história e a falta de ética n meio jornalístico. Radialista da rádio americana CBS, Orson Welles testou os limites entre ficção e realidade. Em outubro de 1938, Welles fez uma dramatização do romance de H.G. Wells. O texto, “Guerra dos Mundos”, havia sido publicado em 1898 pelo escritor inglês em u jornal americano.
O livro, que é uma ficção científica sobre alienígenas que invadem a Terra, só se tornou famoso 40 anos depois graças ao radialista.
Os bastidores de 1968
O escritor e jornalista Zuenir Ventura é o autor de 1968: o ano que não terminou. Vencedor de vários prêmios, ele relata no livro acontecimentos de um dos anos mais importantes em todo o mundo. Mesmo tendo participado daquele ano, Ventura estudou e pesquisou bastante cada detalhe e cada personagem do ano que entraria para a história brasileira e mundial.
No começo depara-se com uma apresentação sentimental e nostálgica de Heloisa Buarque de Hollanda. Ela elogia a precisão de Zu, como ela chama o amigo, ao recuperar os fatos e narrar tudo com objetividade. Em seguida, vêm os agradecimentos. Uma seqüência de três páginas de nomes e mais nomes a quem o autor mostra reconhecimento (que mais tarde mostra-se realmente necessário devido à riqueza de informações que foram dadas a Zuenir). Logo se pensa que as folhas a seguir vão tratar de um 1968 dos amigos, da geração de amigos que muito queria e desejava para o país. Não deixa de ser assim. Mas não é tão superficial. Aborda-se uma juventude cheia de sonhos e ideais, que lutou muito para melhorar o país. E, citando a própria Heloisa, o texto te pega pelo pé. A leitura envolve, a história inebria e começa a surgir uma vontade de ter feito parte do ano que não terminou.
O 1968 nos EUA
O ano de 1968 foi e ainda é muito marcante para a história da humanidade. E não foi diferente com os Estados Unidos. O país estava envolvido na Guerra do Vietnã, sofria com assassinatos, conflitos de gerações, confrontos pela integração racial, drogas e revolução cultural. O jornalista Lucas Mendes entrevistou Todd Gitlin, professor de jornalismo e sociologia da Universidade Columbia nos EUA. Entre 1963 e 1964, Gitlin era o presidente da SDS (Students for a Democratic Society), um dos movimentos mais radicais e influentes da época.
Lucas perguntou sobre o ano de 1968 e sua importância, os conflitos ocorridos, os vencedores. Falou sobre os acontecimentos nos EUA e sobre o futuro do país. Gitlin foi bem sincero e opinativo, não escondeu o que realmente pensa e até apontou os erros do seu movimento naquele período.
Shattered Glass
O ”Shattered Glass” é um filme americano, de 2003, dirigido por Billy Ray e baseado em fatos reais. É estrelado por Hayden Christensen que vive o recém-formado jornalista Stephen Glass. Muito ambicioso, desejava ganhar o prêmio Putlizer e ser famoso. Por causa dessa cobiça, Glass sempre buscava ter furos de reportagem. Mas ninguém sabia que era ele próprio o inventor dessas matérias maravilhosas.
Glass trabalhava na New Republic, revista de grande prestígio entre os americanos. Ele era um dos queridinhos do editor Michael Kelly (Hank Azaria). Simpático, engraçado e sempre com idéias brilhantes, cativava a todos. Assim, foi fácil arrumar vários amigos fiéis dentro da redação, como Caitlin (Chloë Sevigny) e Amy (Melanie Lynskey).
Após sucessivas boas reportagens, em 1998, Glass publicou uma excelente sobre hackers. Relatou como um garoto de 12 anos acabava de ser contratado por uma grande empresa para driblar outros hackers. O contrato havia sido realizado em uma reunião onde só Glass teve acesso, nenhum outro jornalista estava presente. Depois de ler a matéria, o editor da Forbes Digital Tool questionou um dos seus repórteres, Adam (Steve Zahn), porque ninguém havia cobrido o encontro. Adam começou então a procurar os nomes citados no texto para conseguir informações. Só que ele não achou nada, nem pessoas, nem as companhias mencionadas.
Com isso, ele contestou a legitimidade da reportagem e, por meio de seu editor, entrou em contato com Chuck Lane (Peter Sarsgaard), o novo editor da New Republic e que não era tão amigo de Glass. Adam pediu para ter acesso as fontes e Lane obrigou Glass a entregar todos os nomes dos envolvidos da sua história. Glass conseguiu forjar telefonemas e sites com a ajuda de seu irmão, mas nada durou muito tempo. Adam continuou desconfiado e investigando mais. Lane ainda estava na dúvida sobre a veracidade da matéria e passou a desconfiar de outras reportagens também.
Mas Glass se manteve negando. E ainda conseguiu colocar os colegas contra o editor, acusando-o de não acreditar em seu próprio repórter e de nunca defender sua redação e seus redatores. Apesar da loucura e da ambição de Glass, Lane mostrou a todos que estava certo. Ele conseguiu provar que entre as 41 histórias escritas por Glass, 27 foram fruto da imaginação e da criatividade dele. Inclusive a acusada por Adam, “Hack Heaven”.
Glass dizia que o “jornalismo é a arte de captar comportamentos”. Com este lema certamente foi fácil para ele enganar a todos por muito tempo. Depois de despedido, ele ficou afastado do jornalismo. Contudo, também em 2003, Stephen Glass lançou seu primeiro romance, que conta a saga de um jornalista mentiroso.
A ficção que quase se tornou realidade
No ano de 1938, no dia 30 de outubro, ocorreu o caso que, provavelmente, foi o mais famoso e o de maior repercussão na história do jornalismo. Radialista da Columbia Broadcasting System (CBS), Orson Welles foi o líder de uma transmissão que gerou a mais célebre histeria coletiva. Ele e seu grupo de teatro, o Mercury, encenaram pela rádio uma dramatização do romance “Guerra dos mundos”, de H.G. Wells, que havia sido publicado em um jornal americano em 1898.
O livro é uma ficção científica que conta a invasão de alienígenas de Marte ao planeta Terra. Orson manipulou o modo de transmitir a leitura do livro. Divulgou que o planeta estava sendo atacado por extraterrestres e que naves eram encontradas em fazendas e em outros lugares pelo país adentro. Os textos lidos de “Guerra dos Mundos” hipnotizaram e apavoraram milhões de norte-americanos. Vários se mantiveram concentrados às notícias, que eram interrompidas por outras atrações também falsas da rádio, e retomadas como se fossem ao vivo.
O cenário político dos EUA e do mundo contribui para as pessoas acreditarem na farsa. As vésperas de estourar a Segunda Guerra Mundial, vários conflitos já tinham sido decretados entre países europeus. Os americanos estavam atentos a qualquer nova notícia que pudesse ser divulgada. Aproveitando essa apreensão no ar, Orson espalhou de vez o nervosismo entre os seus ouvintes.
Os momentos devem ter sido de completo nervoso para a população, mas não podemos deixar de achar no mínimo cômico. Afinal poucos devem ter realmente parado para pensar em como os boletins aconteciam tão rapidamente. Como os repórteres entravam ao vivo dos lugares onde mais uma nave havia caído ou então as entrevistas repentinas com os supostos cientistas. A manipulação de Welles era boa, mas não perfeita. A população era capaz de reparar e perceber que havia algo errado ali. Mas o pânico foi maior e a credibilidade que os americanos deram à rádio foi enorme.
E mesmo tendo negado a princípio, o jovem radialista de 23 anos queria mesmo provar como o povo podia cair facilmente em mentiras como aquela. Ele pretendia deixar todos em alerta para que não mais se deixassem levar por opiniões pré-formatadas.
Depois da falsa transmissão, a CBS calculou que dos seis milhões de ouvintes da rádio no momento da “novela”, um milhão e meio acreditaram. Saíram pelas ruas das cidades onde havia confirmação da presença das falsas naves divulgando e espalhando o medo e a fictícia realidade.

