A ética e a responsabilidade são valores fundamentais para o jornalista. Só que elas não vêm junto com a inteligência e a capacidade de escrever. Dependem do caráter de cada indivíduo, mas são a base do bom jornalismo em geral. Mais do que trabalhadas, devem ser necessárias. A falta delas é inaceitável.
Caso famoso da década de 30, o Caso Welles imortalizou uma história e a falta de ética n meio jornalístico. Radialista da rádio americana CBS, Orson Welles testou os limites entre ficção e realidade. Em outubro de 1938, Welles fez uma dramatização do romance de H.G. Wells. O texto, “Guerra dos Mundos”, havia sido publicado em 1898 pelo escritor inglês em u jornal americano.
O livro, que é uma ficção científica sobre alienígenas que invadem a Terra, só se tornou famoso 40 anos depois graças ao radialista.
Welles leu o texto ao vivo na rádio e fez milhares de pessoas acreditarem que a invasão realmente estava acontecendo. Como manipulou a transmissão, as pessoas acreditaram facilmente. Ele só avisou no início da leitura que se tratava de uma encenação. E, durante a programação, alternou as manchetes urgentes com flashes de notícias “normais”.
Apesar da rapidez das chamadas ao vivo e da exclusividade daquela rádio na cobertura das notícias, a população não percebeu os equívocos de Welles. O desespero tomou conta e o pânico acabou espalhado pelas ruas norte-americanas.
Orson Welles não foi nada ético em sua idéia. Ele queria mostrar a manipulação dos meios de comunicação sobre o povo. Mas, m detrimento de uma confirmação pessoal, ele prejudicou milhares de pessoas.
Mais recentemente, a importância da responsabilidade jornalística foi demonstrada no filme “Shattered Glass”. Baseado em um fato real, conta a história do recém-formado jornalista Stephen Glass. Por ser muito ambicioso, ele acabou inventando situações e reportagens para crescer na profissão.
Glass trabalhava na revista americana New Republic. Com sua simpatia e idéias brilhantes, era o queridinho do editor, Michael Kelly. Mas, em 1998, ele publicou uma reportagem sobre hackers e a farsa começou a ser revelada. A matéria era sobre um garoto de 12 anos contratado por uma grande empresa para driblar outros hackers do sistema tecnológico. Na reunião do acordo, só Glass teve acesso. Não havia nenhuma outra pessoa da imprensa.
O repórter de uma revista on-line desconfiou do furo. Investigou os nomes citados e nada encontrou. Questionou o novo diretor de Glass, Chuck Lane, pelas fontes. Glass passou telefones e sites onde havia encontrado as fontes. Mas ele forjou tudo, até os telefonemas com a ajuda do irmão. Lane, desconfiado, continuou investigando e acabou por conseguir a confissão de Glass sobre a invenção da matéria. Mais tarde, Glass ainda confirmou que das 41 publicações que ele fizera, 27 foram fruto da própria imaginação.
Stephen Glass ficou afastado do jornalismo até 2003, quando publicou seu primeiro romance sobre a saga de um jornalista mentiroso.
O acontecimento de 1938 e o filme mostram o que não deve ser feito por um bom jornalista. Burlar a ética e a responsabilidade jornalística não são vantagens para quem pretende ganhar o prêmio Putlizer.