Em um mundo onde as pessoas vivem cada dia em busca da felicidade, acreditando que programando tudo e só fazendo o que querem serão felizes, Maria Fernanda Fernandes é um exemplo que o caminho escolhido pode ser completamente diferente do traçado e ainda assim atingir o mesmo ponto final.
Nascida em fevereiro de 1940 na cidade de Amarante, Portugal, Fernanda não chegou a estudar nem até a 4ª série e aos dez anos saiu da vila em que vivia para ir morar em outra casa de família cuidando de crianças mais novas que ela. “Foi por escolha própria, convenci meus pais e fui”, conta ela. Fernanda gostava de ganhar seu dinheiro, mesmo que sendo pouco, mas não esconde como tudo foi difícil. “Chorava todas as noites de saudade”, revela ela.
Com 16 anos passou 17 dias sozinha e “vomitando o tempo todo” em um navio rumo ao Brasil para fazer companhia ao pai que viera antes em busca de melhor emprego. O dinheiro a princípio era enviado à família em Portugal para pagar o estudo do irmão no seminário, que ele mais tarde abandonou. Ela, então, começou aqui um curso de costura, fez seu primeiro vestido a mão e sozinha, mas largou tudo ao se casar. Seu marido, um imigrante espanhol 13 anos mais velho, sempre foi um homem muito machista. “Ele acreditava que mulher trabalhando na rua ia acabar arrumando outro homem”, conta Fernanda.
“Me anulei, tinha minhas vontades e as deixei na memória”, explica ela que sempre sonhou em ser enfermeira. Mesmo assim criou os dois filhos e uma filha de forma diferente. “Acredito que independência não é sair de casa, não é casar com homem rico, é ter seu emprego”. E a graduação e o sucesso dos filhos é um dos motivos de grande felicidade para ela. “Ter vistos eles se formarem, trabalhando foi muita alegria, emoção. Até hoje quando vejo minha neta na faculdade e já trabalhando fico muito contente”.
Fernanda sabe que podia ter agido diferente em alguns aspectos, mas diz que não se arrepende de nada. “Meu marido é, sempre foi um homem bom, nunca me fez mal, tinha esse problema de ser meio durão. Mas sempre foi um ótimo pai, tem um coração muito bom e generoso, até mole de mais as vezes”, brinca ela. Fernanda afirma com um sorriso estampado no rosto que é sim muito feliz hoje. “Criei e tenho uma família maravilhosa, porque não seria?”, finaliza ela.